
Vários são os aspectos sistêmicas da adoção de crianças, e aqui vou fazer uma breve abordagem considerando a visão e consequências sob o ponto de vista sistêmico dos pais que adotaram, dos pais que deram em adoção e da criança.
A criança sempre pertencerá, por origem, ao seu grupo familiar original, independente do que tenha acontecido na história dessa criança, seja por abandono, por falta de condições materiais e ou psicológicas, seja por morte dos pais, por falta de aceitação de uma gravidez indesejada, seja por qualquer outro motivo.
Com relação aos pais adotivos: qual o motivo principal de uma adoção? Suprir carências de uma mulher ou homem que não pode ter filhos ou para substituir uma criança que perderam? Ou por condição compassiva, para atender necessidades de crianças em estado de vulnerabilidade? Para onde está olhando a alma dos pais quando da adoção de uma criança? Para as necessidade dessa criança? Ou para suas necessidades? Ou para ambos?
No primeiro momento, é um presente para os pais ou para a criança?
De onde veio aquele pequeno ser? Quais as questões envolvidas no processo de nascimento da criança? São os porquês da adoção. A adoção foi legítima, considerando aspectos sistêmicos?
Mas nem sempre é possível saber os pormenores envolvidos, principalmente quando a criança é abandonada, deixada em qualquer lugar, muitas vezes para ser resgatada. Entretanto, sempre é ter sob a ótica sistêmica que quando um ser veio ao mundo para suas experiências, traz em sua alma um sistema de origem, com pais, avós, bisavós que devem ser respeitados, aceitos, mesmo não sabendo quem são.
Não quero aqui tirar o mérito de uma adoção e do bem maior desse belo processo, mas olhando para o ponto de vista sistêmico, uma criança poderá, por alguns motivos de sua inconsciência (consciência sistêmica), assumir comportamentos alheios à índole e caráter dos pais adotivos, ou mesmo se revoltar contra eles, por correspondência ao seu sistema de origem que geralmente é “excluído” pelos pais adotivos. Por isso é necessário um grande preparo psicológico e conhecimento sistêmico antes de uma adoção. Uma preparação das questões que podem surgir no futuro.
Talvez uma frase que pudesse ser dita à criança adotada com amor e sinceridade: “Filho, obrigado por fazer parte de nossas vidas, agradeço a seus pais biológicos por proporcionarem essa oportunidade, bem como a todos aqueles que vieram antes deles.”
Vou fazer aqui uma breve explicação do que vem a ser é exclusão do sistema de origem no caso da adoção:
Julgamentos, está é a primeira exclusão. Sempre há um motivo, por mais amoral que possa parecer na visão superficial. Uma mãe irresponsável? Pais usuários de drogas, prostituição, abusos, estrupo e assassinatos? Falta de condição social e financeira ou mesmo a morte dos pais? Sempre há uma motivação, e atrás dessa motivação sempre a outra. São os pais biológicos são os responsáveis por dar a vida a essas crianças. Por isso, os pais adotivos devem ser gratos pela vida que receberam em seus lares e os filhos adotados serem gratos pelo acolhimento. Mas há de ficar claro, uma vez dada a criança em adoção, os pais biológicos perdem o direito sobre ela. Isso também não implica que a criança não tenha direito à verdade.
O primeiro passo positivo dos pais adotivos é aceitar no coração, do jeito que foi e é. Assim a criança, mesmo inconscientemente, se sentirá segura, amparada. É como se ela dissesse: ” se vocês me aceitam, também aceitam a minha origem e como eu vim”.