
Em seus trabalhos em constelação familiar Bert Hellinger, através de suas observações do campo morfogênico identificou os pertencentes a um grupo familiar: a família atual, incluindo irmãos, meio irmãos, filhos abortados ou filhos escondidos; pai, mãe, uma mulher ou marido de um casamento anterior ou mesmo de um relacionamento anterior muito importante e que marcou a vida de cada um dos casais atuais; tios e tias; os avós paternos e maternos, os bisavós, tataravós, podendo retroceder a muitas gerações; a pátria de nossos antepassados e a pátria atual; alguém fora da família que fez uma doação importante que determinou o futuro desse grupo familiar. Também fazem parte do sistema aqueles que causaram algum mau ao sistema: assassinos, perpetradores, usurpadores do patrimônio e violadores da honra.
Está é uma grande controvérsia e Bert Hellinger até hoje é criticado por suas ideias. Alguns o consideram, por ser alemão de origem, e por falta de compreensão da abordagem, um nazista, pois coloca no mesmo “pacote” nazistas e judeus como fazendo parte de um mesmo sistema. Mas a prática tem demonstrado a verdade sobre suas teorias nos processos de reconciliação e pacificação das questões de guerra. Vítimas e perpetradores estão ligados por um fio invisível sistêmico que reverbera por gerações.
Uma das questões mais importantes e que me fez um apaixonado pelas constelações é justamente questões ligadas ao julgamento terem uma conotação mais ampla do que o simples não julgar apregoado nas religiões. Compreender a fundo as questões motivacionais e contextos de cada ser humano nos torna mais humanos. Nos tornam capazes de perceber além do aparente de cada um e as motivações de determinadas atitudes que na maioria das vezes são inconscientes e incompreensíveis no primeiro momento. Por trás de todas atitudes, sempre existe um ser humano com crenças limitantes, traumas, comportamentos repetitivos por uma lealdades invisíveis e contextos diferentes. O importante é ressaltar a necessidade da busca do entendimento e do bem comum. Está é uma lei infalível que mais cedo ou mais tarde deve acontecer.. Faz parte da vida e da evolução da consciência.
Voltando das nossas dilações é importante ressaltar que o grupo familiar é unido por uma força vinculadora, também chamado de consciência familiar ou alma familiar. Os laços que os unem formam uma comunidade de destino que tem o objetivo de manter a completude do grupo. Todos pertencem ao grupo, mesmo os que já partiram. Nessa comunidade, todos se encontram a serviço dessa completude e por um amor cego, laços inconscientes, seguem em frente. Quando algum membro desse clã é excluído, seja por um aborto espontâneo ou provocado, por exemplo, existe alguém desse grupo que poderá estar representando esse membro excluído, seja por uma doença mental ou física, comportamentos fora de padrão, no intuído de mostrar àquele grupamento que alguma coisa esta fora de lugar, ou seja, existe um excluído que precisa ser visto, reconhecido para que a cura sistêmica se proceda.
Podemos considerar o pertencimento uma força ou mesmo uma lei universal que nos une inexoravelmente, seja na família, nos grupos de trabalho, nas organizações, nos governos, nas regiões, países e mesmo nesse comunidade chamada Terra. Quando excluímos por algum motivo, existe sofrimento, doenças, guerras, crimes, carências, falta de prosperidade e de amor…
Márcio Marques
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Obrigado pelo incentivo Josi! Obrigado!